Jogos ‘caseiros’ serão o futuro da indústria?

6 março, 2008

Valve

O crescimento do mercado de videogames transformou as produtoras em conglomerados empresariais, máquinas de fazer dinheiro e fotocopiadoras de propriedade intelectual. A originalidade e idéia arriscada estão perdendo espaço para as fórmulas testadas e seguras.

Claro que as novas ferramentas de tecnologia visual e auditiva exigem investimentos bem mais pesados do que nos tempos do Atari 2600. Entretanto, a necessidade de haver uma chama criativa não perdeu importância alguma e, curiosamente, a lição está vindo graças a esses avanços técnicos.

A internet permitiu que muito mais pessoas tivessem acesso à informação. Os jogadores começaram a aprender como fazer jogos, como modificá-los, brincar com eles para criar projetos únicos. Os computadores mais potentes serviram de apoio a essa explosão caseira.

Counter StrikeHá 8 anos, 2 amigos modificaram o jogo Half-Life para criarem um modo multiplayer, chamado Counter-Strike. Disponibilizado gratuitamente, o jogo foi baixado 10 mil vezes em 2 semanas. A produtora de Half, a Valve, fez pareceria com os dois e lançou Counter de forma comercial. Vendeu horrores e até hoje é um dos mais jogados na internet.

Aprendendo com o passado, hoje a Valve mantém um ótimo serviço de download de games (originais e legais, claro) que também possui jogos ‘indies’, ou seja, criados por pessoas amadoras, de fora da indústria. Afinal, a Valve sabe que pode aparecer um novo Counter por aí.

Por não ser um jogo de tiro nem vale a comparação, mas o novo game AudioSurf, criado pelo desenvolvedor independente Dylan Fitterer, é mais um desses projetos caseiros que vai alcançar o estrelato.

AudioSurf

No mês de Fevereiro/08, AudioSurf foi o jogo mais baixado na rede Steam, batendo gigantes como Half-Life e Orange Box. E o melhor de tudo é o preço: 10 dólares. Custa pouco para fazer, é muito divertido e vendas médias já garantem um ótimo retorno. O que mais pedir de um game?

Misturando movimentos ritmados com quebra-cabeças, AudioSurf tem um pouco de Tetris, um pouco de Guitar Hero e um pouco de algo novo. E poder usar suas próprias músicas é mais mais um passo rumo ao conteúdo criado pelos jogadores.

O mercado de games vai olhar cada vez com mais atenção para esses garotos (e coroas também). Eles estão brincando em seus computadores, testando os limites de máquinas e programas e criando games que eles querem jogar mas as produtoras gigantes, ocupadas com a nona versão daquele sucesso de corrida, não tem tempo para fazer.

Link – Notícia no GamaSutra & Página do AudioSurf