Games: De olho em quem vende

8 Maio, 2008

Representantes do Congresso dos EUA enviaram à casa um projeto de lei que obriga os varejistas de games a exigirem o RG dos compradores e a informar em suas lojas como funciona o sistema de classificação etária do país. Quem não cumprir a medida poderá ser multado em 5 mil dólares.

O lançamento de GTA IV pode ter servido de estopim para essa ação, mas a presença massiça dos games na sociedade atual também demanda uma maior atenção dos orgão reguladores.

Como muito já defendi, censura de conteúdo é uma prática abominável e talvez só cabível quando se tratar de questões raciais e preconceituosas. Entretanto, em 99% dos games existentes o único problema é o fato de o sistema etário não funcionar. Uma criança só joga GTA se alguém emprestar ou comprar para ela (estou excluindo a pirataria, claro). Com a nova lei, as lojas vão pensar duas vezes antes de uma venda desse tipo e os pais, que já deveriam estar mais ligados no assunto, poderão também se informar na loja sobre as idades e símbolos da ERSB.

É importante o governo tomar medidas que eduquem a população sobre o assunto, mas também seria bom que isso viesse acompanhado de campanhas na mídia, como forma de dismistificar o assunto ‘games’ e trazer os pais e responsáveis para a discussão. A ESRB e ESA deveriam, também, se engajar em campanha para ensiar aos adultos o que eles podem e devem fazer para controlar os games dos jovens.

Por fim, talvez seja interessante a ERSB rever as faixas de classificação, já que games bem violentos costumam ser M (Maduro), indicado para maiores de 17 e acima disso apenas jogos AO (Adultos), para maiores de 21. Precisa haver uma faixa ATÉ 17 anos e depois de 18 em diante. Eles usam o 17+ como truque para o jogo não parecer tão pesado, já que o número 18 tem um impacto psicológico maior.

Seja como for, a indústria precisa cuidar de si mesma caso queira ganhar maior aceitação do público em geral.

[UPDATE] – Estudo da FTC (Federal Trade Comission), orgão defensor do consumidor nos EUA, revelou um bom sinal: os varejistas estão vendendo menos jogos para pessoas abaixo da idade estabelecida. De acordo com o gráfico ao lado, desde 2000 o número de clientes ‘falsos’ que conseguiram comprar um jogo sem apresentar RG caiu drasticamente, de 88% para apenas 20% esse ano.

Mais do que simples consciência moral, é claro que os varejistas andam com mais receio de praticar atos ilegais devido ao tamanho da indústria e sua visibilidade. Porém, se a tendência está provada, agora é hora de aproveitar o ‘embalo’ e estabelecer novas regras e leis sobre o assunto.

Fonte: GamePolitcs


GTA IV e o futuro dos games

7 Maio, 2008

Games. Até onde eles chegaram e até onde ainda chegarão? O lançamento de Halo 3 no ano passado foi uma prova de que essa indústria veio para ficar. A chegada de GTA IV, há poucos dias, reafirmou a potência multimilionária que os videogames são.

Arrecadando mais de US$500 milhões de dólares na primera semana, GTA IV supera qualquer música, filme ou mesmo game lançado anteriormente. Mais ainda, as controvérsias que sempre giraram em torno dessa série estão por toda a mídia como nunca antes.

Há duas formas de se encarar essa receptividade polarizada: primeiro, por se tratar de um game, GTA IV ainda encontra a resistência pela ignorância, ou seja, críticas de pessoas que se quer já pegaram em um controle de videogame na vida e muitas vezes baseiam suas opiniões em cima de textos e matérias de terceiros. Esse tipo de crítica sempre existirá mas considero-a como marginal, algo que, por não ter muito fundamento, logo cai no esquecimento e nos tablóides eletrônicos.

A segunda forma de olharmos o sucesso e a polêmia de GTA IV é tentar perceber até onde os jogos podem chegar. O nível de realismo nesse game é algo impressionante e inédito até então. Não muito pelo visual (apesar deste ser lindo) e mais pela cidade que respira com vida e independência do jogador. O mundo virtual de GTA IV oferece possibilidades infinitas aos jogados, permitindo que ele ignore os objetivos principais e faça o que bem entender. E é aí que mora o problema.

Liberdade de escolha nos games é um fator diferencial hoje em dia e visto como ponto positivo dentro da evolução do gênero. Porém, muitas vezes a liberdade suprema gera casos contraditórios junto à mídia tradicional e à sociedade como um todo.

Ter a chance de matar várias prostitutas e pegar seu dinheiro de volta, atropelar dezenas de pedestres ou mesmo explodir bombas no parque são alguns exemplos da liberdade do jogador. Longe de achar que algo deva ser censurado, eu penso que os jogos deveriam, por outro lado, oferecer algum tipo de punição moral.

O tema é difícil porque ainda não implementado de forma correta até hoje. Mas o conceito que tenho disso é um game que deixe eu matar e atropelar quantos eu quiser, mas que em troca limite minhas ações e prejudique o andamento geral de meu jogo.

GTA IV possui um nível de procurado, é verdade, que vai aumentando à medida que você comete crimes. Mas escapar da polícia é bem fácil e só exige um pouco de velocidade (e mais crimes, claro).

Os games como forma de entretenimento são uma realidade e o cinema já olha com medo para esse mercado. Cabe agora às produtoras repensarem alguns conceitos e procurar oferecer mais nos jogos do que uma simples história e ambientes lindos de se ver. Os games precisam mexer mais com nossas emoções, com nossas opiniões e também com nossa moral.

O humor em GTA IV, aliás, é ótimo nesse sentido de usar um pouco a consciência global para fazer uma crítica leve: policias da cidade reclamam que (depois dos atentados de 11/9) tudo que eles fazem agora é parar qualquer um que tenha uma mochila nas costas. Brilhante!

Mas são as partes mais obscuras do game que ainda geram o tipo de crítica que vemos por aí. Tarantino conseguiu usar a violência de forma artística e foi aclamado por isso. GTA IV quase chega lá, mas ainda faltam alguns degraus.